A Associação Abraçar São Tomé e Príncipe recentemente criada já colocou mãos à obra e enviou
para a cidade das Neves, no distrito de Lembá, em S. Tomé dois contentores carregados de ajuda
humanitária.
Foi esta a resposta ao apelo da irmã Lúcia que perante a pandemia de COVID-19 que também
afectou este país, viu as necessidades do seu povo agravarem-se.
A verdade é que os bens alimentares continuam a ser uma grande necessidade, na cidade das
Neves, onde há pessoas a passar fome. E por isso, muitos recorrem às irmãs Franciscanas
Hospitaleiras pedindo ajuda para comer. Assim seguiram viajem cerca de 40 toneladas de
alimentos.
E nesta missão a associação tem contado com a ajuda de muitas empresas que reconhecem a
necessidade e a urgência que existe em auxiliar este povo.
Algo que deixa Catarina Fontaínhas, presidente da Abraçar São Tomé e Príncipe “muito feliz”.
Além disso, quando é preciso são muitas as pessoas voluntárias que se disponibilizam para ajudar
no carregamento de contentores.
No entanto, o apoio da Associação não se faz só além-mar, faz-se também por terras lusas, pois há
jovens de São Tomé a residir em Portugal. E neste dia Helton teve a oportunidade de participar
nesta missão de carregamento e estava “muito feliz” pelos alimentos que ajudou a carregar
alimentar o seu povo.
No total e porque o trabalho de ajuda ao povo da cidade das Neves já teve início em 2018, já
foram enviados 14 contentores.


Ter um filho é uma grande bênção. Ter gémeos é uma bênção redobrada. Hoje conheci uma mãe santomense com dois filhos gémeos. O Gilson e o Wilson com cinco meses de vida. Até aqui tudo normal. Acontece que estas duas crianças estão desnutridas e a mãe não tem com que alimentá-las e cuidar delas. Vieram à casa das Irmãs Franciscanas, à grande irmã Lúcia para esta tomar conta delas a fim de não morrerem com fome.

Abeiraram-se, ao fim do dia, do portão das irmãs e rapidamente chamam pela Irmã Lúcia que prontamente as acolhe na sua casa. E o assunto é de vida ou de morte. Vir pedir às Irmãs um pouco de leite em pó para dar de comer a quem mesmo precisa.

E para piorar a questão, uma das crianças, já está internada no hospital da cidade há mais de 12 dias pois estava mesmo a desfalecer. E lá continua a tomar soro a fim de não desidratar e não se apagar.

As irmãs receberam estes dois gémeos como fossem seus filhos. A mãe chega com um nas costas e outro no regaço sempre com o mesmo objectivo: “- Irmã Lúcia, tem alguma coisa para dar de comer aos meus filhos?”. E é curioso que no dia que vieram, e que eu pude presenciar, o leite para bebés já tinha acabado na casa das Irmãs. Mas nada é por acaso,e quem confiar em Deus, Este tudo providencia. Não é que no dia seguinte, veio um casal de turistas de Portugal para visitar a grande obra das Franciscanas Hospitaleiras nesta cidade das Neves, e ao chegarem, depararam-se com a mãe e os dois gémeos. Ao vê-los desnutridos e com os pés e uns bracinhos tão raquíticos, este casal larga-se a chorar, e logo disse à irmã que iriam comprar umas latas de leite para socorrer estas duas criaturas. E assim aconteceu. Foram rapidamente à cidade comprar seis latas de leite para trazer para estas crianças. Que belo gesto de atenção aos mais frágeis e débeis do nosso mundo! Obrigado a este casal, pois fez a diferença na vida destes dois seres humanos. Como seria importante, que todos nós, fizéssemos a diferença, pela positiva, no mundo de hoje com tantas desigualdades.

E no fim de receber o leite, ainda tive o prazer de pegar num dos bebés ao meu colo. Como senti algo tão leve e tão mirrado! E pensei para comigo, obrigado, Senhor, pelo alimento que tenho todos os dias para ser forte e consistente!

E a mãe não foi embora sei fazer duas coisas. Primeiro, dizer um grande obrigado às irmãs e às meninas que estão na casa e perguntar logo, a que horas deveria vir amanhã para receber mais leite. A resposta da irmã Lúcia foi rápida, e com sentido de uma mãe que não quer falte alguma coisa aos seus filhos. “- Vens amanhã, às 17horas”, disse a Irmã Lúcia.

E no fim ainda abençoei as crianças e disse à mãe para ter coragem com os seus filhos pois eles vão ficar bons de saúde e vão ter alimento para crescerem.

E lá foi esta mãe com os seus dois bebés com outra alegria, e acima de tudo, com muito sentido de esperança para o dia seguinte. Para cada dia, a sua preocupação.

Não pude deixar de me lembrar de todos os meninos do Colégio da Quinta do Lago de Carcavelos que este ano fizeram uma campanha de leite em pó na escola, juntando mais de cem latas de leite. Logo pensei neles e no fundo do meu coração, disse para mim. Este gesto vai ser tão útil para ajudar a matar a fome destas crianças.

Obrigado ao Colégio Quinta do Lago, por fazerem a diferença.

 


Chegar a São Tomé é chegar, não só, ao continente africano, mas acima de tudo chegar a uma terra bonita e de gente acolhedora.

Á semelhança da Morabeza do cabo-verdiano temos o Olá efusivo que sai da voz de todas as crianças que se cruzam connosco nas ruas e travessas e que nos coloca logo à vontade. Uma proximidade que nos dispõe de imediato.

Como perguntamos a um são-tomense como está? A Resposta é típica e característica deste povo: Leve Leve, ou seja, vamos levando a vida com muita calma e serenidade.

Não será isto o essencial para o nosso viver nos dias de hoje?

Pe. Nuno Rodrigues